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Na era digital, poucos fenômenos se mostraram tão difundidos e tóxicos quanto o “troll online”. De plataformas de mídia social a seções de comentários em sites de notícias, os trolls estão por toda parte, provocando conflitos e espalhando negatividade.

Mas quem são esses trolls e o que os leva a agir dessa forma? Pesquisas recentes revelam insights surpreendentes: muitos trolls online são narcisistas com baixa autoestima que não gostam de ser o alvo de seu próprio comportamento.

“Esta pesquisa também permitiu insights mais profundos sobre os trolls online”, escreveram os autores de um estudo recente publicado em Ciências do comportamento. “Curiosamente, os trolls online não parecem gostar de ser trollados, mas gostam de trollar, destacando uma desconexão entre as duas experiências.”

Trolling online, em termos gerais, envolve a provocação deliberada, o assédio ou a perturbação de outras pessoas online, muitas vezes para provocar uma resposta emocional.

Trolls podem usar várias táticas, de insultos pessoais e piadas ofensivas a desinformação e abuso direto. Embora a intenção do trolling possa variar de pura diversão a danos maliciosos, seu impacto pode ser substancial, afetando a saúde mental, o discurso online e a confiança da comunidade.

Para alguns, o trolling online tornou-se até uma nicho de mercado. Esses “trolls profissionais” geralmente gerenciam contas de mídia social ou canais do YouTube focados exclusivamente em criticar indivíduos ou tópicos específicos. Ao contrário dos críticos de mídia tradicionais, os trolls profissionais raramente oferecem perspectivas positivas ou equilibradas. Em vez disso, eles dependem principalmente de ataques pessoais ou críticas exageradas para chamar a atenção.

Dentro da mente do troll online: a conexão narcisista

Dois estudos recentes publicados em Telemática e Informática e Ciências do comportamento lança luz sobre a psicologia por trás do trolling. Ambos os estudos convergem para uma conclusão semelhante: uma proporção significativa de trolls exibe traços narcisistas. Eles são frequentemente caracterizados por um senso inflado de autoimportância, uma falta de empatia pelos outros e uma necessidade insaciável de atenção e admiração.

O estudo em Telemática e Informáticaliderada por uma equipe de psicólogos sociais alemães, descobriu que indivíduos com altos níveis de narcisismo são mais propensos a se envolver em trolling online.

No Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), a Associação Americana de Psicologia (APA) define transtorno de personalidade narcisista como tendo “um padrão generalizado de grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia, com direito interpessoal, exploração, arrogância e inveja”.

Os narcisistas prosperam na validação e frequentemente buscam dominar espaços online onde podem controlar a narrativa e chamar a atenção para si mesmos. No entanto, seu comportamento não é apenas sobre afirmar superioridade, mas também um mecanismo de defesa contra suas inseguranças.

Esta descoberta foi repetida na pesquisa de Ciências do comportamentoque se aprofundou na conexão entre narcisismo e trollagem online. O estudo identificou dois tipos de narcisismo prevalentes entre trolls: grandioso e vulnerável. Narcisistas grandiosos são abertamente autoconfiantes e buscam admiração e reconhecimento.

Em contraste, narcisistas vulneráveis ​​têm baixa autoestima, oscilando entre sentimentos de superioridade e intensa insegurança. Curiosamente, ambos os tipos foram ligados ao aumento do comportamento de trollagem por razões ligeiramente diferentes.

Enquanto narcisistas grandiosos usam trolls para afirmar domínio e controle, narcisistas vulneráveis ​​tendem a atacar devido à sua sensibilidade a críticas ou desrespeitos percebidos.

Eles podem trollar outros para se elevarem em comparação, mascarando suas inseguranças por trás de uma fachada de bravata. No entanto, esses mesmos indivíduos são altamente sensíveis a serem trollados, muitas vezes reagindo com raiva ou na defensiva quando são o alvo.

Baixa autoestima de trolls online gera comportamento destrutivo

Os estudos sugerem ainda que a baixa autoestima é um fator crítico que contribui para o comportamento de troll. Ao contrário do estereótipo popular do provocador confiante, muitos trolls são, de fato, profundamente inseguros. A pesquisa de psicólogos alemães aponta para uma correlação significativa entre baixa autoestima e maior probabilidade de envolvimento em trolling online.

Segundo os pesquisadores, indivíduos com baixa autoestima podem recorrer ao trolling c

4 views Aug 18, 2025